O Centro Acadêmico de Vitória(CAV)- UFPE realiza pesquisas importantes para a cidade

compartilhe

Pesquisas importantes estão sendo realizadas no CAV (Centro Acadêmico de Vitória)- UFPE e esses estudos trazem benefícios para Vitória de Santo Antão e região.

Por esse motivo, a atenção do vitoriense deve se voltar, cada vez mais, para o trabalho que vem sendo realizado na instituição, isso por que existem projetos  de pesquisa e outras atividades que exploram assuntos importantes para a população.

Professor Ernani Ribeiro é doutor em educação pela Universidade Federal de Pernambuco e realiza pesquisas no Centro Acadêmico de Vitória CAV

Doutor em Educação pela UFPE, Ernani Ribeiro, atua em pesquisas importantes no CAV

O redator Davi Mandarel conversou com o professor Ernanis Ribeiro que é Mestre e Doutor em Educação (UFPE) e Historiador (Funeso).

Qual seu envolvimento com pesquisas dentro da UFPE e qual o benefícios que esses projetos podem trazer para a cidade?

Resposta: Bem, eu tenho trabalhado com pesquisa já faz alguns anos. São quase 20 anos de vida acadêmica. Então, já estive envolvido em várias pesquisas, fui professor do profbio (Mestrado Profissional em Biologia), onde a gente desenvolveu pesquisas voltadas a metodologias de ensino, sobretudo, eu pesquiso a inclusão socio-educacional.

Quando estive no profbio, a gente pesquisou bastante metodologias de ensino para pessoas cegas e para pessoas surdas. Então, eu trabalhei e desenvolvi algumas pesquisas nesse âmbito: como desenvolver métodos e técnicas de ensino para pessoas surdas e/ou pessoas cegas que estão em espaços includentes na escola.

Acredito que são mais de 10 pesquisas desenvolvidas nesses últimos anos. Hoje eu estou desenvolvendo três grandes pesquisas. Uma delas, financiada pela pela FACEPE e as outras são de caráter financiado pelo UFPE, assim, enquanto registro.

E uma outra, ainda não temos financiamento, estamos correndo atrás de alguém que financia pesquisa e atrás de edital. Sabemos que os recursos para as humanidades são mais escassos.

Centro Acadêmico de Vitória - CAV parte inicial da instituição
Imagem retirada do canal do canal do Youtube da Universidade Federal de Pernambuco.

Qual o objetivo das pesquisas que você está orientando?

Para não ser muito redundante, eu vou falar um pouco sobre cada uma das três e um pouco de onde eu estou inserido nesse contexto. Sou professor da área de humanidades. A formação é História, mas migrei no mestrado e doutorado para educação.

E eu não trabalho a questão de ensino e, sim, a educação enquanto espaço de formação humana. E enxergo nesse espaço a existência de disputas e tensionamentos por grupos sociais diferentes.

Então trabalho esse movimento de tensionamento entre as diferenças e singularidades no espaço social e escolar e como isso resulta em um movimento que a gente chama de inclusão.

CAV- Centro Acadêmico de Vitória- UFPE
Imagem retirada do canal do canal do Youtube da Universidade Federal de Pernambuco.

3 pesquisas realizadas no CAV que são importantes para a população:

A sexualidade da pessoa com deficiência

A terceira pesquisa é a que mais se assemelha, ou melhor, que mais dialoga com a proposta da assistência social. Estou pesquisando a sexualidade das pessoas com deficiência. Estamos  fazendo um estudo grande, uma pesquisa de 4 anos.

Para isso,  12 mestrandos estão sendo mobilizados, mais 12 alunos de iniciação científica e mais dois professores: um deles sou eu, que estou coordenando a pesquisa.

Ainda não temos o financiamento dessa,  mas a gente está querendo entender como são os dispositivos de corpos de desejo, de ser desejado, da libido, do reconhecimento do outro, toda essa dimensão da sexualidade desses sujeitos que são invisibilizados.

No senso comum, a gente tem a ilusão de que a pessoa com deficiência, em muitas categorias, em muitas condições não vivem experiências sexuais eróticas. Até porque todos os mecanismos que orientam a sexualidade humana não levam em consideração as disposições das pessoas com deficiência e suas singularidades corporais.

E a gente quer trazer esse discurso do sujeito e empoderá-lo para demonstrar que essa sua sexualidade é real e latente. Faremos um levantamento de dados a nível nacional.

É um questionário que a gente passou quase quatro meses elaborando para poder ter acesso a esses dados. A gente vai ter um mapeamento no Brasil de como é compreendida, não só por estado, mas por região.

Essa pesquisa tem duas fases, além da primeira, o questionário, iremos escutar as pessoas, claro que o número vai ser bem diminuto, mas a gente vai escutar essas pessoas e vamos entendê-las dentro das suas singularidades, como são essas experiências sexuais eróticas.

E depois, a gente já entende que a própria pesquisa dará instrumentos para políticas públicas, para orientação de gênero, para a orientação da própria assistência social, para a saúde e, principalmente para a educação, entendendo que esses corpos também são reais.

Educação Inclusiva

A primeira pesquisa é empírica e está na fase final. Ela foi financiada pela FACEPE. A intenção é registrar a história de vida dos professores que fizeram os primeiros movimentos de inclusão no estado de Pernambuco.

Os profissionais contam um pouco sobre suas histórias de vida e como elas desenvolveram metodologias técnicas e o próprio princípio da empatia para compreender, no outro, na sua singularidade um processo de acolhimento.

Para que, dessa forma, o sujeito pudesse ter uma formação respeitando a dignidade humana e os próprios princípios legais desde a constituição até a atualidade.

Um aprofundamento no conceito de educação inclusiva

Essa segunda pesquisa tem um caráter teórico. Ela se propõe a ser uma revisão temática de base com um teórico chamado Pierre Bourdieu e outros comentadores.

Estamos compreendendo que o conceito de inclusão não está ainda bem definido. eu assumi, enquanto pesquisador, que a gente não tem um lugar chamado de educação inclusiva.

Existe só um lugar que é a educação e que essa educação  está passando por metamorfoses, por tensionamentos e por modificações para atender as singularidades que chegaram nas últimas décadas.

As pessoas que eram invisibilizadas estão, hoje, ganhando seus espaços de fala. Então eu estou pesquisando uma teoria que a gente chamaria de teoria geral da inclusão em que a gente não compreende só a pessoa com deficiência nesses espaços, mas também, toda a educação.

Chamamos de inclusão não só a pessoa com deficiência, mas todos os outros corpos que não atendem aos padrões. O movimento LGBTQIAPN+ mais o movimento afrodescendente o movimento indígena os corpos distantes dos padrões, como a obesidade, como a terceira idade…

Então todos esses sujeitos estão dentro desse escopo que eu tenho estudado. Que são as relações de poder e as relações de inclusão e exclusão dentro dos espaços sociais e educacionais, respeitando esses sujeitos nas suas singularidades.

Quadra de esportes do Centro Acadêmico de Vitória - CAV - UFPE
Imagem retirada do canal do canal do Youtube da Universidade Federal de Pernambuco.
  • Conheça um pouco mais do currículo do pesquisado Ernani Ribeiro:
  • Currículo: Professor Adjunto II da Universidade Federal de Pernambuco
  • (UFPE) no Centro Acadêmico da Vitória
  • (CAV) no Curso de Lic. Em Ciências Biológicas; docente do Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGEdu
  • CE/UFPE e do Mestrado Profissional em Ensino de História
  • CFCH/UFPE. Líder do Grupo de pesquisa AFFECTIO/CNPq.

Desenvolve pesquisas sobre as concepções epistemológicas referentes às práticas educativas na relação professor-estudante-espaço educativo na perspectiva dos processos da inclusão educacional; sexualidade e gênero relacionados aos aspectos da pluralidade e diversidade humana na perspectiva dos processos de inclusão social.

Alunos do CAV - Centro Acadêmico de Vitória - UFPE
Imagem retirada do canal do canal do Youtube da Universidade Federal de Pernambuco.

Porque as pesquisas realizadas na UFPE são importantes para a sociedade?

As pesquisas realizadas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) têm um impacto extremamente positivo em diversas áreas, contribuindo para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social da região e do país como um todo.

Avanço do Conhecimento: As pesquisas na UFPE têm contribuído para a produção de conhecimento em diversas áreas do saber, desde as ciências exatas até as ciências humanas, promovendo o avanço do conhecimento e a formação de novos pesquisadores.

Inovação Tecnológica: A universidade tem desempenhado um papel importante na geração de tecnologias e inovações, que podem ser aplicadas em diferentes setores da economia, estimulando o empreendedorismo e o desenvolvimento de novas empresas e indústrias.

Soluções para Problemas Regionais: As pesquisas na UFPE são frequentemente direcionadas para enfrentar desafios específicos da região de Pernambuco, contribuindo para a solução de problemas locais e melhorando a qualidade de vida da população.

Contribuição para a Saúde: A pesquisa em áreas da saúde, como medicina, enfermagem e biomedicina, tem impactado positivamente o diagnóstico e tratamento de doenças, promovendo a saúde e bem-estar da população.

Meio Ambiente e Sustentabilidade: As pesquisas em áreas ambientais e de sustentabilidade têm contribuído para o desenvolvimento de práticas mais responsáveis e conscientes, auxiliando na preservação do meio ambiente.

Interação com a Comunidade: A UFPE, por meio de suas pesquisas, tem estreitado os laços com a comunidade, promovendo a inclusão social e a democratização do conhecimento.

Formação de Recursos Humanos: As atividades de pesquisa na universidade proporcionam uma formação sólida para os estudantes, capacitando-os para atuarem como profissionais qualificados em suas áreas de estudo.

Esses são apenas alguns exemplos do impacto positivo das pesquisas realizadas na Universidade Federal de Pernambuco.

O trabalho contínuo dos pesquisadores, aliado ao apoio institucional, reforça a importância do papel das universidades no desenvolvimento do país e na busca por soluções para os desafios enfrentados pela sociedade.

Centro Acadêmico de Vitória de Santo Antão CAV - UFPE
Imagem retirada do canal do canal do Youtube da Universidade Federal de Pernambuco.

Como participar de um projeto de pesquisa em 7 passos

Para um estudante participar de um projeto de extensão de pesquisa em universidades, geralmente são seguidos os seguintes passos:

1º Informe-se sobre os projetos de extensão: Consulte o site da universidade, procure por editais ou entre em contato com os departamentos ou coordenadores de cursos para saber quais projetos de extensão estão em andamento.

2º Identifique sua área de interesse: Escolha um projeto de extensão que esteja alinhado com sua área de estudo ou que desperte seu interesse.

3º Entre em contato: Entre em contato com o coordenador do projeto ou o professor responsável para expressar seu interesse em participar. Envie um e-mail ou marque uma reunião para discutir mais detalhes sobre o projeto.

4º Mostre seu interesse e habilidades: Demonstre sua paixão pela área de estudo e destaque suas habilidades relevantes para o projeto.

5º Prepare seu currículo acadêmico: Tenha um currículo atualizado que ressalte suas experiências acadêmicas e quaisquer projetos ou atividades extracurriculares relevantes.

6º Esteja disposto a colaborar: Seja proativo e mostre que está disposto a colaborar com o projeto, contribuindo com ideias e se comprometendo com as atividades necessárias.

7º Esteja preparado para o compromisso: Entenda que a participação em um projeto de extensão de pesquisa pode exigir dedicação e tempo, então esteja preparado para cumprir os prazos e responsabilidades.

LEMBRE-SE: cada universidade pode ter seus próprios procedimentos e requisitos para a participação em projetos de extensão, por isso é essencial verificar as informações específicas da instituição em questão. Boa sorte em sua jornada acadêmica!

Luiz Carlos é ex aluno de enfermagem no Centro Acadêmia

Luiz Carlos, ex graduando de enfermagem comenta sobre pesquisas realizadas no Centro Acadêmico de Vitória

Conversamos, também, com ex alunos do Centro Acadêmico de Vitória para entender a trajetória deles dentro do Campus. Luiz Carlos, por exemplo, graduou-se em enfermagem, iniciando seu curso em 2018.

Ele abriu para o nosso site algumas experiências vivenciadas na Instituição e detalhou para nós alguns desafios em sua vivência como estudante de Vitória.

“Eu nasci na periferia de Recife e, com o objetivo de cursar enfermagem, precisei mudar para Vitória de Santo Antão no decorrer do curso. A pesquisa é um dos pés que sustenta a universidade e a potencializa em diversos aspectos” afirma o ex aluno.

Ele continua: “E isso vai, desde uma resposta à sociedade, com algumas pesquisas relacionadas à área da agricultura, com pesticidas e afins. Quanto para a área profissional de algumas outras áreas. Como a saúde, licenciaturas diversas e a educação

Por que no CAV nós temos cursos da licenciatura, de bacharelado e temos também os de gestão, que aí vem: Saúde Coletiva, Nutrição e Educação Física”. Explica Carlos sobre a questão das pesquisas realizadas no centro.

O enfermeiro acredita que a pesquisa dentro de Vitória, a partir da universidade, ela tem essa potencialidade, de dar além de um impulso no desenvolvimento social e econômico, uma resposta aos cidadãos.

Segundo ele é importante lembrar que a instituição surge em um processo de democratização do acesso à universidade porque antes nós tínhamos o modelo muito centrado na capital, nós não tínhamos as universidades no interior.

E que o centro acadêmico de Vitória da universidade Federal de Pernambuco é um dos campus que faz parte desse processo de interiorização da universidade.

Ele afirma que em sua sala de aula haviam apenas 3 pessoas da região metropolitana do Recife. A turma era composta de 30 alunos e 27 deles eram oriundos dos interiores da Mata Sul.

Além disso, enxerga esses números como uma amostra importante de um resultado positivo para a inclusão social. “A gente vê os estudantes se formando no interior e, ao mesmo tempo, residindo em sua cidade natal. Não é preciso fazer o fluxo de, por exemplo, saírem de Agrestina, Caruaru, Bezerros etc, para estudar no Recife e ficarem em Recife”.

Cursos oferecidos Centro Acadêmico de Vitória

Ciências Biológicas – Licenciatura Presencial
Ciências Biológicas – Licenciatura EAD
Educação Física – Bacharelado
Educação Física – Licenciatura
Educação Física – Licenciatura (EAD)
Enfermagem – Bacharelado
Nutrição – Bacharelado
Saúde Coletiva – Bacharelado

O Centro cumpre bem o significado de sua palavra, pois é um ponto de encontro de várias regiões vizinhas à Vitória de Santo Antão. Muitos estudantes realizam sua graduação aqui, mas nasceram em outra cidade, como Gravatá, Limoeiro, Belo Jardin e muitas outras, incluindo Recife.

A ex aluna de enfermagem, Ana Risoflora, relatou que enxerga uma potência no fato de vários estudantes do interior de Pernambuco se unirem em um único centro.  Ela acredita que ao fim da graduação, eles vão poder retornar à sua terra natal e transformar a realidade por lá.

Risoflora realiza um trabalho importante estagiando no ambulatório LGBT aqui, em Vitória de Santo Antão. Continue lendo a matéria que, logo mais, ela volta a conversar com a gente sobre esse assunto, mas antes, vamos conhecer a área de pesquisa realizada pelo Centro Acadêmico de Vitória.

Davi Mandarel

Davi Mandarel

Davi Mandarel, nascido e criado em Vitória de Santo Antão. Desde criança entorto palavras que viram textos, também conhecido como Copy. Assessor de pessoas públicas, influenciadores e empresas. Crio conteúdo para a internet e as pessoas dizem que gostam. Apaixonado por literatura! Graduando em Letras - Português UFPE

Posts Mais Recentes