Como atuam as mulheres na política do PDT?

Vice presidenta do Ação da Mulher Trabalhista é uma mulher negra. Ela segura um microfone e discursa ao lado de outras mulheres.
Mesmo sendo grande parte da população brasileira, ainda é pequena a participação das mulheres na política. Vamos discutir o que o PDT tem feito para lutar contra essa realidade. Nesse texto você verá pesquisas que revelam números preocupantes e uma visão mais aprofundada sobre o assunto.

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Talvez você não saiba, mas O PDT realizou várias ações afirmativas que fortalecem a permanência de mulheres na política. A Ação da Mulher Trabalhista é um exemplo. Você também verá: lugar do homem no feminismo, mulheres negras no ambiente eleitoral e muito mais.

Miguellina Veccio está falando ao microfone e atrás dela várias mulheres estão sentadas ouvindo suas palavras.

O que é a AMT (Ação da Mulher Trabalhista do PDT)?

Segundo o estatuto, o AMT é um “órgão de colaboração do PDT que visa a arregimentação, a valorização, a defesa e a representação das Mulheres Trabalhistas”. Além disso, tal órgão é comandado por um grupo de competentes trabalhadoras distribuídas por vários estados de todo o Brasil.

É importante lembrar que o motivo da exclusão feminina na política, tanto como a dificuldade para que sejam eleitas, quanto a falta de apoio e incentivo para aquelas que conseguem tal feito, é mais antigo do que imaginamos. Por outro lado, existem ações positivas vindo de dentro dos próprios partidos na intenção de amenizar essa realidade.

Como é o caso do Partido Democrático Trabalhista, que analisando essas questões, percebeu que o discurso democrático é defeituoso, se não construído com base na crença da igualdade de gêneros. Portanto, as mulheres precisam ser representadas por outras que estejam no poder defendendo suas causas.

Não há democracia quando o ambiente político coopera para a exclusão da participação feminina nas esferas eleitorais. Por isso, o partido desenvolveu ao longo de sua história, algumas ações afirmativas para facilitar a entrada e assegurar a permanência da mulher na política do PDT.

A Ação da Mulher Trabalhista, como exemplo, é um órgão fundado em 3 de junho de 1981 e até hoje vem cumprindo o seu papel de defender os direitos e a voz feminina. E para além do discurso, ele impacta de maneira prática o trabalho de diversas mulheres. Entenda um pouco mais.

Miguelina Vecchio está sentada, com os braços apoiados em uma mesa de madeira. Atrás dela, algumas bandeiras: uma delas é a do Brasil e a do PDT.

Quem é a presidenta do AMT (Ação da Mulher Trabalhista)?

Miguelina Veccio é a presidenta do AMT – Rio Grande do Sul e, também, vice-presidenta nacional do PDT. Socióloga por formação, hoje ela atua, também, como chefe de gabinete da Liderança da Bancada do PDT na AL/RS. Além disso, veja outras mulheres trabalhistas em diferentes estados o Brasil.

  • Sírley Soalheiro é vice-presidenta do AMT – Minas Gerais.
  • Marli Mendonça é secretária geral do AMT- Roraima
  • Cristiane Alves é primeira secretária do AMT – Minas Gerais
  • Salete Beatriz Roszkowski é tesoureira – Rio Grande do Sul
  • Nádia Regina Silveira Pacheco é consultora jurídica – Rio Grande do Sul

 

Esses e outros estados são contemplados pelo órgão, mesmo porque sua cobertura de assistência vai além do território nacional. Um trecho do estatuto referente aos objetivos descreve bem esse ponto: “Representar e defender os direitos da mulher no PDT e em outros organismos nacionais e internacionais”. Entenda mais.

Objetivos da Ação da Mulher Trabalhista

Os principais objetivos do órgão são fortalecer a autonomia e autoridade das trabalhadoras dentro do partido, tanto na esfera nacional, quanto internacional. Entre um dos conceitos que norteiam os princípios estão o feminismo, socialismo, trabalhismo e outros.

O artigo 4 do documento aponta aonde o órgão pretende chegar com a força de seu trabalho. “Ser o órgão-instrumento […] na Luta e na Defesa dos Direitos das Mulheres e no Movimento Popular, estando inserido na comunidade através dos Núcleos de Base” é o primeiro dos objetivos.

Municipalização. “Seu desenvolvimento e atuação em todos os municípios” e “integrar os Diretórios Municipais, Estaduais e Nacional do PDT”. Como também, a defesa dos direitos. “Representar e defender os direitos da mulher no PDT e em outros organismos nacionais e internacionais” como já foi citado.

Além disso, “Integrar a mulher na vida partidária através de sua militância efetiva e representá-la em todas as instâncias do Partido”.  Ações que impactam a dificuldade de permanência feminina no ambiente político. Por último, o artigo quatro ainda cita como objetivo “Capacitar e conscientizar as mulheres de seus direitos”.

O PDT já elegeu alguma mulher?

A resposta é sim e antes de vocês conhecerem uma das excelentes candidatas eleitas pelo partido, é importante fazer um salto no tempo para entender que séculos atrás nascia o conceito de política, desde seu princípio, teorizado por homens.

Filósofos, pensadores e estudiosos que refletiam a sociedade dentro de um sistema onde mulheres naturalmente foram desconsideradas como participantes ativas nas decisões importantes. E olha nós aqui: séculos à frente,  tentando contornar um comportamento histórico.

O de exclusão de mulheres na política no ambiente eleitoral. Além da Ação da Mulher Trabalhista, temos outra representação de tentativa da abertura de espaços para mulheres na política do PDT. Assim, chegaremos à história da Ana Paula Matos.

Que atualmente ocupa o lugar de vice-prefeita na grande Salvador. Ela também se candidatou, nessa última eleição de 2022, ao cargo de vice-presidente da república ao lado de Ciro Gomes. Assim como boa vice-prefeita, também realizou uma ótima campanha concorrendo à vice-presidência do Brasil.

Vice-prefeita de Salvador está posicionada ao lado de Ciro Gomes. Ele olha para ela com um sorriso no rosto, enquanto ela fala gesticulando para a câmera.

Ana tem conquistado seu lugar através da competência. E isso se comprova com base em dados recolhidos pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Política) que apuraram depoimentos sobre a prefeitura de algumas capitais do Brasil.

Salvador se saiu muito bem, expressando 85% de aprovação.  Acompanhe os números desse resultado mais detalhadamente: 38% da população descreveu a prefeitura como ótima, 35% como boa, 19% como regular, 2% como ruim, 4% péssima, 1% disse não saber responder.

Mais do que portas abertas e espaço de voz, é importante que as mulheres na política consigam desenvolver suas habilidades competentes de governança. E competência não falta na trajetória da vice-prefeita, seu currículo é extenso: “possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Salvador (1998) e em Direito pela Universidade Católica do Salvador (2001).

“É Especialista em Finanças pela Unifacs (2000) e Mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2002). Atualmente é Administradora Plena da Petrobras atuando em atividades de Gestão da Escola de Gestão e Negócios da Universidade Corporativa Petrobras.

Aliás, os conhecimentos Jurídicos e uma destacada formação Teórica e Prática na área de Gestão de Organizações Públicas e Privadas, consultoria e Ensino de Cursos de Graduação e Pós Graduação no Brasil.” Informações coletadas de seu currículo Lattes.

Ana se descreve como Baiana movida pela fé, vice-prefeita de Salvador e apaixonada pelo nosso Brasil. Ela teve vez e voz ativa durante a disputa pela presidência ao lado de Ciro Gomes. Ambos compartilhavam com o povo suas ideias de melhoria para o Brasil e fizeram isso respeitando a equidade de gênero”.

Em Pernambuco, por exemplo, na cidade de Vitória de Santo Antão, o cargo de presidência do Partido Democrático Brasileiro é ocupado por uma mulher. O nome dela é Hérika Araújo e tem realizado um trabalho competente que soma positivamente na história do partido.

A falta de feminismo dentro do ambiente eleitoral

O Portal do Senado Federal realizou uma pesquisa onde candidatos e candidatas à eleição municipal de 2020 foram perguntados sobre “feminismo e políticas equalitárias” entre outras questões sociais. Criaram, então, com base em  todas as pessoas que foram ouvidas, alguns gráficos interativos para revelar pontos importantes.

A pesquisa identificou que maior parte do ambiente eleitoral se sente indiferente ao feminismo. A pergunta feita aos entrevistados foi: “como você se considera em relação ao feminismo?”. Acompanhe o gráfico com a porcentagem das respostas:

A imagem mostra os resultados de pesquisa sobre a participação de mulheres na política

Ao mesmo tempo, temos um fato curioso: a maior parte dos entrevistados concordaram com a ideia de que homens e mulheres possuem as mesmas aptidões para exercer cargos eletivos. No gráfico gerado pelo Portal do Senado vocês conseguem ver mais detalhes da porcentagem:

A imagem mostra os resultados de pesquisa sobre a participação de mulheres na política

  • Maior parte dos entrevistados responderam que homens sentem mais interesse pela vida política do que a mulher.
  • E o motivo dessa percepção é estrutural e ele não começa aqui. Além disso, o Brasil é um dos países que menos tem participação feminina na política entre outros na América Latina.
    Uma outra pesquisa esclarecedora foi realizada pela União Interparlamentar, que se trata de uma organização internacional dos parlamentos. A análise dos dados entre países da América Latina, classifica o Brasil numa situação delicada: nossa política ainda está longe de ser igualitária.
  • De todas as nações da América Latina, o Brasil ocupa a 142ª posição com menos mulheres na política.
  • Dentre  os 192 países, a igualdade de gênero está distante de ser uma realidade na política. Como explicar esses dados visto que, estatisticamente, a quantidade de mulheres em nosso país é maior do que a de homens?

Como funciona o machismo estrutural

O problema que viemos trabalhando até agora se estende por diversas áreas e não só a política. É um aglomerado de ações simultâneas que resultam na exclusão das mulheres na sociedade por parte de grupos oprimidos na sociedade. Dentre eles, as mulheres. Entenda como o machismo pode se manifestar sutilmente até na linguagem.

Bom, comecemos pela própria palavra: pátria. Já chegou a perguntar a si mesmo qual a origem de seu significado?
Antes, vamos entender que o problema é estrutural, está na base. Se construímos a história de nosso país através de movimentos majoritariamente masculinos, certamente a política deste terá resistência à participação feminina.

Voltando ao significado da palavra, pois até a linguagem é fruto de construções exclusivas dentro desse contexto.
O significado do que falamos passa por um processo de criação ligado à imagens que formamos em nossa mente. A Linguística chama isso de referente.

Na palavra pátria, qual a imagem referente que mora dentro do significado que ela quer passar?  Basta pensar um pouco, levando em consideração sua pronúncia, para perceber que o sentimento de paternidade aparece. Tudo fica ainda mais claro, quando recorremos a etimologia da palavra.

De origem latina, a palavra “patria”, isso mesmo, sem acento, significa terra natal. Porém, indo mais fundo nessa árvore etimológica chegamos a outra: “patre”, que por fim, quer dizer pai. Ou seja, podemos ver como é sutil e estrutural a representação masculina nas construções sociais.

Cota para mulheres na política

O que tem feito o Brasil para reparar sua falta de mulheres na política? Bom, algumas ações afirmativas estão sendo criadas e implementadas afim de impactar positivamente a campanha de candidatas mulheres. Como exemplo, a emenda dos 30% obrigatórios.

Proposta e aprovada através de uma emenda constitucional, a cota determina que cada partido reserve, no mínimo, 30% do fundo eleitoral para investir na campanha de candidaturas femininas. O site da Câmara dos Deputados informa, também, que a distribuição dos recursos deve ser proporcional ao número de candidatas.

Assim como os recursos, 30% do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão devem ser destinado à mulheres. Medidas como essa agem na espinha dorsal do problema de forma prática. Vejam os números e entendam o avanço no cenário político, após a promulgação da emenda.

Segundo estimativas da Agência Câmara Notícias, nas eleições de 2014, 46 mulheres foram eleitas deputadas. O que representa 9% do total. Porém, no ano de 2018, quando a lei de cotas já estava em funcionamento, 77 deputadas mulheres conseguiram ser eleitas, representando 15% das 513 cadeiras da Câmara.

Outra ação c0mplementar à luta de inserção de mulheres na política do Brasil foi a criação de um curso para planejar, fomentar e qualificar candidaturas de mulheres. O curso tem o nome de Mais Mulheres na política. Ele foi ofertado durante o período de eleição em 2022.

A iniciativa online e gratuita foi promovida pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A carga horária do curso foi de 30 horas e ofereceu certificado paras as alunas que participaram dessa jornada do conhecimento.

Mulher de pele negra e cabelos crespos vestindo uma blusa rosa e colar na cor verde. Ela também está usando óculos.

Falta de mulheres negras na política

A falta de mulheres na política já é um problema em nosso país, mas ele se torna ainda mais sério quando discutimos a baixa quantidade de mulheres negras na vida pública. Acompanhe os dados que foram divulgados pelo portal Agência Brasil e veja em números.

De acordo com o portal, as mulheres negras somam 27,8% da população brasileira, porém não são maioria no ambiente político, muito pelo contrário. Para que vocês tenham uma ideia, no ano de 2016, o número de eleitas nas eleições municipais tanto para vereadoras, quanto para prefeitas foi menor que 5%.

Esse número, recolhido pelo Movimento de Mulheres Negras, revela que tanto candidatas, quanto eleitas ficaram atrás de homens brancos, homens negros e de mulheres brancas nos dois cargos. O Movimento s realiza um trabalho de pesquisa sobre a participação negra e feminina nos espaços políticos.

A pesquisa nos fornece dados como esses em que identificaram quarenta e três deputadas autodeclaradas negras pelo Brasil inteiro. E mais: treze deputadas federais, uma deputada distrital e apenas uma senadora. O cenário está longe de ser de igualdade.

Para isso, precisamos de muita discussão e realização de políticas públicas que interfiram nesse processo histórico, não só machista, como também racista, que impede a entrada e permanência de mulheres negras no ambiente público de decisão.

A diferença numérica é gigante. O ano era 2016 e a porcentagem de 4,1% apontava a quantidade de candidatas negras, o que representa 691 candidaturas. Já os homens brancos somavam 57,7% dos candidatos; Homens negros, 28,7%; E para completar a lista, somavam em 8,8% o total de mulheres brancas.

Analisando os candidatos que foram eleitos 3,2% eram mulheres negras. Os homens brancos levaram o maior percentual de eleições com 62,2%. O que nos mostra em números o quanto precisamos evoluir enquanto Estado para cada vez mais representar essa grande parcela da população que se encontram sub representadas na política.

Ciro Gomes está vestindo uma camisa azul e é rodeado por microfones de diferentes veículos de comunicação.

A participação do homem na luta feminista

“O feminismo aparece como um movimento libertário, que não quer só espaço para a mulher – no trabalho, na vida pública, na educação -, mas que luta, sim, por uma nova forma de relacionamento entre homens e mulheres, em que estas últimas tenham liberdade e autonomia para decidir sobre sua vida e seu corpo.

O trecho que você acabou de ler foi retirado na íntegra do artigo intitulado “Homem Pode Ser Feminista?“. Ele foi escrito por três mulheres acadêmicas e publicado pela Revista de Educação Pública. Pegando o gancho no título desse artigo, precisamos discutir qual o lugar do homem dentro do feminismo.

O movimento começa quando mulheres decidem lutar por seus direitos. Direitos básicos que antes eram negados por proibições baseadas em uma estrutura machista. Como usar a roupa que desejavam, ter acesso a estudo, trabalho, vida na política etc. E até hoje vem ganhando força e cada vez mais sendo discutido.

Contudo, o machismo é um problema criado por homens e precisa, também, ser debatido por eles. Afim de que haja uma desconstrução de pensamentos retrógrados e um engajamento positivo na causa. Dessa forma, a gente consegue avançar com os dois lados juntos, mesmo porque o movimento busca equidade e não separação dos gêneros.

Porém, entendendo que a participação masculina na luta feminista não assume um lugar de destaque ou protagonismo e sim de apoio secundário e complementar. É importante participar com disposição de aprender e não de explorar a causa com segundas intenções.

Ciro Gomes, por exemplo, comenta em uma matéria para O Globo que já tentou fazer um quadro administrativo só com mulheres, quando foi prefeito de Fortaleza e quando foi Governador do Ceará. Essa atitude de usar seu lugar de privilégio em benefícios de causas, como a entrada de mulheres na política, acrescenta para a luta.

André Carvalho

André Carvalho

Vereador mais votado do PDT em Pernambuco e militante do PND. Realiza um trabalho de fiscalização e transparência em Vitória de Santo Antão- PE.

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