Conheça o ambulatório LGBTQIAP+ de Vitória de Santo Antão

ambulatório lgbtqi+ vitória de santo antão bairro da Matriz

compartilhe

Vitória de Santo Antão foi uma das cidades de Pernambuco contempladas com a construção de um  ambulatório LGBTQIAP+. O projeto foi criado pela secretaria de saúde do estado com o objetivo de atender a demandas específicas de travestis e transexuais e ainda lésbicas, gays, bissexuais e outras manifestações de gênero e sexualidade.

Nessa matéria você vai ler uma entrevista com uma estudante natural de Vitória que se enxerga como mulher trans e teve seu processo de hormonização todo facilitado pelo ambulatório em Vitória de Santo Antão.

Antes disso, se atente para o local, horários de funcionamento e serviços oferecidos. O ambulatório LGBTQIAP+, nomeado como Dani Almeida funciona hoje na rua imperial, bairro da Matriz, n 175 das 8 horas da manhã às 17:00 horas da tarde.

O cronograma de atendimentos se divide da seguinte forma: 

Segunda: enfermeira e psicólogo (de 8:00 ás 17:00)

Terça: médica, enfermeira e psicólogo (8:00 às 17:00)

Quarta: Enfermeira e psicólogo (8:00 às 17:00)

Quinta: Enfermeira (8:00 às 17:00)

Sexta: Psicólogo  (8:00 às 17:00)

Os funcionários em atendimentos são Ana Risoflora: enfermeira, Psicólogo: Nicolas Fernandes, médica: Sabrina Silva.

De onde surgiu o projeto do ambulatório LGBT+?

Segundo informações fornecidas pelo site da Secretaria Estadual de PE, a cidade de São Paulo foi a iniciante em oferecer atendimento de saúde voltados à comunidade LGBTQIAP+.

É importante entender, antes de tudo, o que esta sigla significa: lésbica, gay, bissexual, transexual e travesti. Atualmente ela passou por uma alteração, ganhando algumas novas letras, são elas: Q,I,A,P,N + que significam Queer, Intersexo, Assexual, Pansexual, Não Binário e o símbolo “+” que significa todas as outras expressões de gênero e sexualidade que possam existir.

O secretário de saúde de Pernambuco, no evento de lançamento do primeiro ambulatório LGBTQIAP+, expressou sua felicidade em garantir mais esse direito: “É uma satisfação anunciar a criação desse ambulatório especializado, que será referência regional e o segundo do País.” E disse mais:

“Pernambuco sempre esteve à frente nas conquistas dos direitos humanos e o Estado irá garantir todas as ações de promoção, prevenção e atenção integral à saúde”, pontuou o secretário”.

Jenifer Beatriz, estudante de Vitória-PE fala sobre ambulatório LGBT+

Estudante vitoriense, Jenifer Beatriz, conta como foi seu processo de hormonização no ambulatório LGBTQIAP + de Vitória-PE

Nosso redator, Davi Mandarel, conversou com Jenifer Beatriz, que é uma cidadã vitoriense, estudante do Instituto Federal de Pernambuco e mulher trans. Ela contou, como foi seu processo de hormonização realizado no ambulatório LGBTQIAP+.

Como foi seu primeiro contato com o ambulatório LGBT+?

Resposta: Assim que a gente ficou sabendo que teria um ambulatório voltado para a comunidade LGBTQIA+ que, durante um tempo funcionou na UPA, no bairro do Cajueiro, antes de abrir um aqui no centro, a gente se informou com uma pessoa que foi muito pontual para a gente conseguir muitas informações, que foi com Joseph.

Ele trabalha na Secretaria de Saúde e passou todas as informações. Por exemplo, em quais dias a médica estaria disponível, em quais dia teria assistente social, psicólogo…

Não foi difícil acessar os serviços que eles oferecem, era só a gente saber os dias em que a médica estava em atendimento. Essa minha experiência é de quanto o ambulatório ainda funcionava na UPA. Lá não tinha congestionamento de fila, não tinha obstáculos para ser atendida.

Como o ambulatório é importante para a saúde da comunidade lgbtqiap+?

Eu acredito que existir um espaço como esse é algo super importante pra minha comunidade, por que nós, que somos mulheres e homens transexuais e travestis, conseguimos passar pela terapia hormonal com um acompanhamento médico.

Isso é algo que, acredito eu, muitas de nós desejam: passar pela terapia hormonal com acompanhamento profissional. Assim a gente consegue fazer um processo de hormonização pra deixar nosso corpo de uma forma que a gente se sinta bem com ele. E isso tudo feito com um suporte profissional, com um acompanhamento médico… Sendo consciente dos pós, dos contras…

Como os serviços do ambulatório ajudaram na sua trajetória de hormonização?

O ambulatório me livrou de alguns perigos, como, por exemplo, de eu ter que me submeter a usar remédios irregulares, coisas que poderiam prejudicar minha saúde.

Ingerir coisas que não conheço bem, que não foi receitado e explicado por uma médica o que aquilo poderia acarretar na minha saúde, na minha vida com o decorrer dos anos ou meses usando aquele determinado medicamento… Então, o serviço do psicólogo, da médica, do agente social foram essenciais pra mim.

Acredito que não só eu, como todo mundo da comunidade apoia lugares como o ambulatório lgbtqiap+. Porque não são em todos os espaços hospitalares que a gente consegue um atendimento que seja compreensivo com nossas questões específicas.

Não são em todos que a gente consegue informações sobre terapia hormonal, até porque eu já tentei saber antes sobre terapia hormonal com um endocrinologista e a resposta que eles me deram foi que eles tinham endocrinologista na rede hospitalar.

Mas que não tinha especialização em terapia hormonal com pessoas trans. Por isso eu digo que o ambulatório é importante. Um lugar como esse vem para dar todo o apoio à comunidade.

Inclusive em vários outros lugares hospitalares, muitas de nós são destratadas, negligenciadas, olhadas com cara feia… Precisamos, mesmo, de um lugar de acolhimento.

Leia um texto publicado pela Câmara Municipal de Porto Alegre sobre a lei que aprova a criação da política municipal de saúde integral para pessoas LGBTQIAPN+.

Davi Mandarel

Davi Mandarel

Davi Mandarel, nascido e criado em Vitória de Santo Antão. Desde criança entorto palavras que viram textos, também conhecido como Copy. Assessor de pessoas públicas, influenciadores e empresas. Crio conteúdo para a internet e as pessoas dizem que gostam. Apaixonado por literatura! Graduando em Letras - Português UFPE

Posts Mais Recentes