Escola ou prisão. Repense!

A estrutura da escola é um fator importante na desistência dos alunos, por isso a semelhança entre a estrutura de escolas com sistemas carcerários merece nossa observação. Entenda essa problemática!

compartilhe

Qual a fonte da motivação que mobiliza tantos estudantes para fora das escolas? Não seria, essa mesma, um espaço destinado a acolher, e através disso, desenvolver as competências e habilidades do ser humano em sua fase de crescimento? Veja 3 problemas sérios que podemos superar nesse espaço. Leia até o final, pois você não pode ficar de fora e deixar que isso continue acontecendo.

Eu, esse narrador que vos fala, vou conduzir você ao longo do texto e já quero começar levantando algumas questões, como: por que a escola é importante? E ao se questionar a respeito, talvez na sua cabeça, tenham surgido respostas do tipo: “Por que ela é importante, ué!” ou “Pra ser alguém na vida”, “Escola é onde a gente aprende as coisas” e nada disso é mentira, mas agora segura na minha mão que vou te apresentar uma outra visão dessa mesma pergunta.

“Escola é algo necessário na vida de um ser humano e, quando o mesmo não passa por ela, geralmente recebe um tratamento diferente daquele que concluiu seus estudos”. Assim pensa o senso comum de grande parte da população brasileira, porém, é interessante fazermos um exercício de repensar tudo isso. Começando pela reinterpretação da palavra: escola.

  • O que é?
  • Como foi inventada?
  • E com o objetivo de que?

Onde está, realmente, a necessidade da escola na vida de um ser humano? E para entendermos isso, é preciso dar uma revisitada no conceito dessa palavra. Sabia que tudo começou com um lugar aberto para momentos de descanso e conversas?

Se liga nisso aqui: a palavra escola vem do grego “scholé”, que significa “ócio” – o mesmo que “lazer ou tempo livre”. Este significado vem do conceito de escola na Grécia Antiga, que, diferente do que vemos atualmente, era uma reunião, um momento em que os cidadãos gregos tiravam um tempo livre para discutir sobre filosofia e alguns comportamentos sociais.

Ao longo do tempo o objetivo desse espaço foi se transformando tanto que chegamos à ideia atual: uma instituição com objetivo de ensino coletivo. Mas daí eu pergunto: vocês acham que desde a ideia inicial para a atual muita coisa mudou?

É possível, hoje, pensar em educação e relaxamento ao mesmo tempo? Ou na cabeça só vem provas, atividades e várias obrigações que devem ser cumpridas pelos alunos? E é nessa ferida aberta que precisamos tocar com sensibilidade para curar as doenças presentes no sistema educativo, a fim de evitar a desistência de tantos estudantes. Precisamos incentivar a juventude a resistir e permanecer na trajetória da educação. Sabemos que a evasão é um problema real e, como noticiou o portal da Globo através do G1, cresceu ainda mais no período alto da pandemia do Covid 19.

“Evasão escolar na rede pública estadual de Pernambuco atinge média de 4,7% por causa da pandemia.
Segundo o Governo, o maior percentual foi registrado no ensino fundamental. Ao todo, 6% dos estudantes não voltaram às aulas. No ensino médio, a evasão ficou em 3,5%.”

Esta matéria foi publicada recentemente em 25/08/2021. E nos leva ao seguinte questionamento: o que tem levado os nossos alunos a não conseguirem permanecer no espaço escolar? Veja lista de 3 obstáculos para enfrentarmos na educação de Pernambuco.

JÁ SE PERGUNTARAM SOBRE A SEMELHANÇA ENTRE ESCOLAS E PRESÍDIOS?

Presos em salas de aula, os estudantes estudam, estudam e estudam. Com pequenos intervalos regrados onde podem ir até o refeitório, quando a escola se beneficia do privilégio de ter um. Após as refeições, podem também, conversar e socializar um pouco até que o sino toca estridente, e então, os auxiliares de corredor os conduzem rigorosamente para dentro de salas de aula novamente. Tal cenário remonta uma estrutura também usada no sistema penitenciário.

Nesse sentido, podemos observar que a estrutura de parte das escolas de Pernambuco, ou a falta delas, é um fator muito importante na contribuição para a desistência dos estudantes, uma vez que as mesmas precisam apresentar um caráter acolhedor aos seus estudantes, incentivando, assim, o desenvolvimento de competências e habilidades e não meros reprodutores de informação técnica.

Esse objetivo se torna possível quando se constrói uma relação de intimidade do aluno com seu ambiente escolar, e esta, precisa estar funcionando com suas necessidades essenciais como: água para beber e também realizar limpezas nos banheiros e demais cômodos. Ventilação em salas de aula, para aliviar calor, uma vez que Pernambuco é regido por um clima quente. Além disso, material pedagógico de qualidade e gratuito acessível a todos, como várias outras camadas da estrutura que se espera de uma escola de qualidade.

NEM TODO ALUNO CONSEGUE ACOMPANHAR A TURMA!

Um dos grandes desafios para os professores é dar conta de uma quantidade tão vasta de alunos ao mesmo tempo. E esse processo de ensino em massa faz com que alguns estudantes se sintam pressionados a seguir o rendimento de toda a turma. O que o faz entrar num comportamento autodepreciativo e ansioso, pois, muitas vezes, o aluno passa a não se enxergar como um “eu’ individual e sim como mais um número na caderneta sendo parte de um todo.

Uma sugestão a esse obstáculo, logo pensamos, seria mudar esse quadro na educação através de dedicação e observação do rendimento desses alunos por parte da escola como um todo unindo-se à família destes. Não só essa como outras estratégias podem ser pensadas, repensadas e aplicadas afim de melhorar as condições de permanência do aluno em sala de aula. Segundo o artigo presente no Seminário Internacional de Inclusão Escolar: práticas em diálogo, “cabe à escola avaliar o aluno, compreender pedagogicamente suas dificuldades e desenvolver estratégias para favorecer seu processo de aprendizagem”.

O PRÓPRIO ESTUDANTE PRECISA ENTENDER SUA PARTICIPAÇÃO DENTRO DA ESCOLA.

Para além de uma relação de necessidade e meio para crescimento na vida profissional, o estudante precisa se entender como agente ativo dentro desse processo de construção em sua sua vida escolar. Ele precisa entender que a escola é parte de sua trajetória e que a mesma tem de estar aberta para receber suas contribuições como integrante transformador desse espaço.

Focando nessa construção, conseguimos engajar os estudantes com a escola e diminuir a problemática da evasão escolar. Essas são alguns pensamentos críticos a respeito do nosso sistema educacional, mas vocês também podem levantar muitos outros.

O que pensam a respeito? Deixa aqui nos comentários!

André Carvalho

André Carvalho

Vereador mais votado do PDT em Pernambuco e militante do PND. Realiza um trabalho de fiscalização e transparência em Vitória de Santo Antão- PE.

Posts Mais Recentes