Histórias ainda não contadas sobre o carnaval de Vitória de Santo Antão

Na imagem, Ricardo Alexandre, mais conhecido como Bombom, está sentado por trás de uma mesa repleta de materiais carnavalescos.
Memórias que contam nossa história. O espetáculo principal acontece no palco, mas nos bastidores é que se vê a construção da trama. Por isso, conversaremos com figuras famosas no carnaval de Vitória para recolher depoimentos ricos sobre a cultura do carnaval antonense. 

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A memória é uma fonte rica de momentos importantes, por isso fui atrás de figuras populares de Vitória de Santo Antão. A intenção é ouvir e registrar as vivências de bastidores ainda não registradas em nenhum outro lugar, mas que contam, de uma maneira informal, a trajetória do nosso carnaval.

Existem foliões e amantes carnavalescos. O folião gosta da festa, brinca em alguns blocos e, quando cansa, entende que é hora de descansar em casa. Mas o amante desconhece que é chegado o fim, ele brinca desde que se entende por gente e, não satisfeito, ainda trabalha nos bastidores dos blocos e agremiações.

Os bastidores de uma das festas mais populares do Brasil. E ninguém melhor para falar sobre o assunto do que Ricardo Alexandre da Silva: o famoso Bombom. Profissional bastante conhecido no meio das Bandas Marciais e blocos em Vitória de Santo Antão. Suas vivências na área são extensas e renderam ótimos relatos.

Bombom viveu anos trabalhando no festejo carnavalesco da cidade em diferentes blocos como o Clube Abanadores O Leão,  O Camelo, As Vizinhas, Urso Branco, Urso Preto e muitos outros. Dessas vivências,  acumulou histórias que descrevem uma época que não volta mais. Em entrevista, ele abriu para nós algumas memórias marcantes sobre o carnaval vitoriense.

 

Como surgiu o bloco Etesão e Etesuda no carnaval da Vitória?

Pergunto à Bombom como foi sua primeira vez brincando no bloco do Etesão. Além disso, quis saber se, na época, houve alguma resistência dos vitorienses por conta do teor sexual. Ele responde que era muito novo e o bloco não tinha tanta fama como atualmente.  Relata que o mesmo já havia iniciado seus trabalhos com uma certa fama na cidade.

Porém, apresentava características mais voltadas para um grupo de sociedade e fundadores. Pouco depois é que foi ganhando a proporção que conhecemos hoje. Além disso, existe um fato antigo que é guardado com nostalgia na memória de Bombom: o cenário se passa quando o bloco descia as ladeiras da rua do antigo Cinema de Braga, hoje conhecida como rua da loja Americanas.

Num sábado, aproximadamente uma hora da tarde, as lojas do comércio de Vitória já estavam fechando e os funcionários, fantasiados, trancavam os estabelecimentos. Depois disso, pulavam direto na folia, que passava arrastando uma multidão em direção à Duque de Caxias.

Antes, aproximadamente 11:00 horas o bloco já estava ganhando as ruas de Vitória. Porém, o cronograma também mudou: hoje, a partir de 13:00 hora, ele já está saindo da concentração, no bairro do Livramento, para cumprir todo seu trajeto. Conta que começou a brincar no bloco aos 18 anos. Depois disso, passou um tempo pulando carnaval no Galo da Madrugada.

Surpresa! Relata que depois de sua volta ao bloco vitoriense a reação foi “O que é isso?”. Pois a imagem que viu era de uma grande  transformação. O bloco já não era mais aquele do início. “O povo veste a camisa. Não o kit apenas, mas a camisa Bloco. É muito interessante o que acontece hoje, você olha em volta e é como estar num baile de fantasias”.

Hérika Araújo, atual presidente do PDT em Vitória-PE, também estava presente na conversa e comentou que, de repente, as pessoas começaram a se fantasiar, como acontecia em grupinhos no carnaval de Olinda. Lembra, também, de sentir o bloco um pouco violento no início, pela comoção de pessoas embriagadas, mas que a brincadeira de fantasias acalmou os ânimos e deixou o tom violento de lado dando lugar à diversão.

Hino do bloco Etesão e Etesuda

Lá no beco do Dezinho sai um bloco espacial
Arrastando os foliões pelas ruas para brincar o Carnaval
Lá no beco do Dezinho sai um bloco espacial
Arrastando os foliões pelas ruas para brincar o Carnaval

Vem caindo na folia um casal iluminado do espaço sideral
Etesão traz alegria, Etesuda rodopia fazendo passo num compasso sem igual
Não se avexe e não se iluda
Etesão e Etesuda

La no beco do Dezinho sai um bloco espacial
Arrastando os foliões pelas ruas para brincar o Carnaval
Lá no beco do Dezinho sai um bloco espacial
Arrastando os foliões pelas ruas para brincar o Carnaval
Vem caindo na folia um casal iluminado do espaço sideral
Etesão traz alegria, Etesuda rodopia fazendo passo num compasso sem igual
Não se avexe e não se iluda
Etesão e Etesuda

 

Histórias de Blocos Antigos da Vitória de Santo Antão

Falando sobre a confecção de estandartes de blocos antigos em Vitória de Santo Antão, Ricardo Alexandre, o famoso Bombom, traz a tona uma memória sobre existência de uma competição entre as agremiações no passado. Não havia um julgamento oficial, mas o favoritismo do público  era o grande juiz.

A Duque de Caxias, segundo ele, era como se fosse o quartel general do Frevo. Nela acontecia um encontro de blocos: enquanto um descia vindo da Praça da Matriz, outro subia vindo da praça do Livramento. Nessa logística espacial a Duque se transformava no ponto de cruzamento entre as agremiações. Aconteceram mudanças durante os anos, mas a logística é semelhante até hoje.

“É igual a sete de setembro. Não existe concurso de banda no dia de Sete de Setembro, é independência do Brasil. Todas as escolas vão pra rua, todas as entidades vão para a rua para homenagear a independência. Igual carnaval em Vitória. Não existe um julgamento, uma comissão julgadora que vá julgar o Leão, o Camelo, o Cisne etc. O povo é que faz o julgamento e diz: “o Camelo foi melhor, o Leão foi melhor”. Comenta Bombom.

Toda a confecção pomposa presente no festejo, envolve uma grande cadeia de profissionais trabalhando nos bastidores. Na Vitória de Santo Antão do passado, era comum encontrar muitas pessoas envolvidas em trabalho artesanal. Nosso querido entrevistado relembra que era comum andar pelas ruas do bairro Cajá e ver grupo de moradores colando lantejoulas e confeccionando fantasias, essa era uma prática comum da época.

Quem é Ricardo Bombom?

Para contar essas histórias foi preciso o apoio de uma figura pública importante para o carnaval de Vitória de Santo Antão: Ricardo Alexandre da Silva. Profissional que tem realizado um trabalho valioso para a cultura da cidade. Por esse motivo será homenageado através de uma comenda proposta pelo vereador André Carvalho.

A Comenda José Marques de Sena visa homenagear os profissionais, grupos entidades, orquestras e agremiações que contribuem em sua obra para o fortalecimento da cultura carnavalesca em todas as suas expressões no Município de Vitória de Santo Antão.
Ricardo Alexandre da Silva, mais conhecido como “Bombom”, é vitoriense por natureza.

Decorador, coreógrafo, educador cultural, artista plástico são algumas de suas muitas habilidades profissionais. Iniciou a sua paixão pelas artes muito cedo aos 5 anos de idade, ao ver o ensaio da Banda Marcial da Escola Municipal Djalma Eusébio Simões (Alto José Leal), onde desfilou por 5 anos.

As suas atividades artísticas iniciaram quando o Professor Batista o convidou para confeccionar juntos o estandarte do bloco “As vizinhas”, período este em que conheceu os carnavalescos Marconi Sandres, Mércia Ramalho e Kleber Ramalho.
À Convite da Professora Mércia Ramalho, “Bombom” realizava bordados e adereços para os clubes carnavalescos da Cidade.

Dentre eles o “Clube abanadores o Leão”, onde era responsável pelas plumagens, cabeças e costeiros (esplendores) das desfilantes dos carros alegóricos, assim como no “Clube Vassouras o Camelo” e o “Clube o Cisne, “Clube do Motorista”. A da cidade e região tiveram a honra de receber o brilhantismo de Alexandre através de seu trabalho.

A sua paixão pela Banda Marcial influenciou em seus estudos na Escola Municipal 3 de Agosto, onde foi convidado, novamente pelo Professor Batista, para confeccionar e bordar os cartéis e estandartes da Comissão de frente da referida banda, recebendo, em seguida, o convite do Professor Mário Rolim para coreografar e coordenar a comissão de frente.

Nela, permaneceu ao longo de vinte anos na Gloriosa “Banda Marcial 3 de Agosto (“BM3A”). Além disso, o nosso “Bombom” confeccionava adereços para bailes e festas de momo, surgindo a partir desse momento, as propostas para produzir estandartes dos quais ele chamava de “filhos da alegria”.

Cumpre ressaltar que ele ainda Recebeu inúmeras homenagens, especialmente, pelos blocos “O tocador quer beber”(2019) e pelo Maracatu Sol Brilhante da Cidade de Gravatá no mesmo ano, bem como foi campeão do primeiro concurso de máscaras do baile Encontro com Amigas de Batista, também em Gravatá.

O nosso homenageado integra um grupo seleto de artistas pernambucanos convidados a desfilar nas alegorias do maior bloco do mundo: “O galo da Madrugada”. Portanto, a contribuição de Ricardo Alexandre da Silva (Bombom) para a cultura carnavalesca de nossa cidade é inestimável e merece o nosso reconhecimento como forma de manter viva a memória de nossas tradições.

ASCOM

ASCOM

Assessoria de comunicação do Vereador de Vitória de Santo Antão, André Carvalho.

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