Lisbela e o Prisioneiro foi escrita em Vitória

Não só escrita como também ambientada aqui, em Vitória de Santo Antão.

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Algumas de nossas ruas são parte do cenário para essa história que rodou os cinemas de todo o Brasil conquistando o público com os altos e baixos de Lisbela e Leléu.

Prazer, eu sou o narrador! Essa voz aí na sua cabeça que vai ler o texto junto contigo.
Devo dizer que, enquanto escrevia essa matéria senti um orgulho danado de ter nascido vitoriense. Leia até o final e você vai entender do que eu estou falando.

Na história, Leléu é um tipo malandro galanteador e acaba conquistando o coração de Lisbela, que por sua vez, é uma jovem donzela, filha de delegado. Mas um certo detalhe importante de comentar é que ela está de casamento marcado e o pretendente, pelo gosto do pai, está longe de ser Leléu.

Mas isso não impede as investidas do malandro sobre a mesma. Em uma de suas peripécias, ele acaba sendo preso e jurado de morte. Romance, comédia e ação. Tudo numa mesma história.

Agora deixa eu te contar de onde veio toda essa trama que levou milhares de brasileiros aos cinemas. Então… Ela foi baseada numa peça teatral escrita pelo vitoriense Osman Lins. É curioso imaginar que muitos de nós, (e quando digo nós me refiro a quem, assim como eu, nasceu aqui na cidade de Vitória de Santo Antão), não tem conhecimento de quem foi Osman Lins e da contribuição que suas obras trouxeram para o patrimônio cultural da cidade.

O ato de você estar lendo essa matéria junto comigo já é histórico, por si só, pois perpetua a continuação de nossa identidade cultural. Uma vez que você tem, agora, o poder de guardar essas informações e recontá-las com orgulho, para seus parentes, amigos e conhecidos sempre que estiver passando pelas ruas da cidade. Continue lendo a matéria como um participante ativo que faz a diferença em nossa cultura. Se liga só na história do Osman.

Filho de Teófanes da Costa Lins e de Maria da paz de Melo Lins, nascido no dia 5 de julho de 1924 Osman da Costa Lins, seu nome completo de registro, é considerado ao lado de Clarice Lispector e Guimarães Rosa, um dos maiores escritores brasileiros do século XX.

Natural daqui mesmo, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Osman é autor de uma obra vasta e diversa. Escreveu contos, romances, novelas, peças de teatro, livros de viagens, poesias, casos especiais para a televisão, ensaios e artigos. Olha que orgulho danado de ter o nome desse escritor como vitoriense.

Continue lendo e você vai ver o quanto essa matéria é importante para deixar registrada alguns fatos curiosos acerca de vários lugares históricos de VSA (Vitória de Santo Antão) que a gente nem sabia a origem e contexto.

Fato triste na vida de Osman

Indo agora, rapidamente, para a infância dele, Osman tinha apenas dezesseis dias de nascido quando sua mãe veio a falecer em decorrência de complicações no parto. Em um de suas entrevistas, o mesmo chegou a tocar no assunto afirmando que sentia dificuldade de lembrar do rosto da mãe, pois ela não havia deixado fotografias.

Todo gênio é fruto de uma educação primordial

Em sua vida escolar, estudou no antigo Colégio de Santo Antão e no Ginásio da Vitória. Parte desse tempo foi dedicado à datilografia. Pouco tempo depois ele mudou-se para Recife em busca de mais oportunidades. José Aragão, grande historiador da cidade, na época, foi uma das pessoas importantes que trouxeram para Osman grande incentivo pela escrita. O mesmo era o seu tutor no ginásio e considerado importante historiador da cidade na época.

Um incentivo para escrever veio através de José Aragão, seu tutor no ginásio e um importante historiador da cidade de Vitória de Santo Antão. Nesse momento aqui, dois grandes nomes da cultura vitoriense aparecem juntos na mesma história.

Com o passar dos anos, Osman Lins foi estudar em Recife para buscar novas oportunidades. Com trabalho e dedicação à sua escrita, ele foi conquistando seu espaço no mundo. Houveram períodos de intensa atividade literária onde escreveu para jornais, concursos etc. Ao longo dos anos, Osman ia aprimorando seu senso crítico como escritor.

Anos à frente, Osman estava estagiando na França, a fim de ampliar seus dotes artísticos. Enquanto isso, estreou no Rio de Janeiro sua primeira peça encenada: Lisbela e O Prisioneiro. Logo de início, a obra lhe presenteou de volta com um grande sucesso: o prêmio Companhia Tônia Celi Altran.

Muitas de suas obras ganharam respeito e notoriedade. São tantas, que eu poderia passar horas aqui falando a respeito, mas agora preciso entregar à vocês, leitores, aquilo que prometi: vamos revelar os 5 fatos sobre a adaptação para cinema inspirada na clássica obra de Osman Lins.

Escrita aqui, mas gravada em Recife!

Em sua história original, a trama se passa em Vitória de Santo Antão, mas as gravações para o cinema foram feitas em Recife no bairro Boa Vista.

Pense numa boa escolha que o diretor fez!

Lisbela e o Prisioneiro é o primeiro longa-metragem do diretor Guel Arraes feito especificamente para o cinema. Seus filmes anteriores, O Auto da Compadecida e Caramuru – A Invenção do Brasil, eram adaptações de minisséries exibidas pela Rede Globo. Já estreou suas produções cinematográficas com um grande sucesso.

Patrimônio cultural que chama, né?

O jornalista e apresentador Pedro Bial chegou a fazer uma resenha sobre o filme, onde cita a autoria do nosso Osman. O vídeo resenha foi publicado pelo Canal Brasil.

Filme perdido?

Uma lata com negativos originais do filme foi perdida no laboratório Mega Collor, forçando que o diretor rodasse novamente as cenas que ali estavam.

Onde Osman Lins morou aqui na cidade?

Sua casa ainda está de pé e fica localizada na rua ao lado da igreja do Rosário no bairro da Matriz, aqui em Vitória de Santo Antão. Digo aqui, pois eu, esse narrador que vos fala, é nascido e criado na terra da Pitú. Mas e qual é a casa de Osman? É ponto turístico de visitação?

Infelizmente não! Se você chegar à rua, mal vai saber que ali nasceu e criou-se um dos nossos grandes escritores da literatura brasileira. A prefeitura precisa valorizar nossa cultura e arte, pois estas contam nossa história para o mundo.

Conta aqui nos comentários qual parte dessa matéria mais te surpreendeu!

André Carvalho

André Carvalho

Vereador mais votado do PDT em Pernambuco e militante do PND. Realiza um trabalho de fiscalização e transparência em Vitória de Santo Antão- PE.

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