Pontos históricos de Vitória-PE viram documentário produzido por alunos do colégio potencial

Estudantes do colégio Potencial realizam documentário sobre pontos históricos de Vitória de Santo Antão

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Praças públicas e pontos históricos de Vitória-PE se tornaram objeto de documentário produzido por uma turma de estudantes do colégio Potencial.

A atividade foi proposta pela coordenação da escola e tem como objetivo desenvolver as habilidades de diversos alunos em diferentes expressões culturais através de um show de talentos.

Nosso redator, Davi Mandarel, conversou com uma das professoras envolvidas nesse processo. Ela quem provocou a ideia de documentar a cidade como uma forma de registrar a memória que devemos preservar em Vitória de Santo Antão.

Professora Samia Gonçalves orienta estudantes do colégio potencial em documentário sobre pontos históricos de Vitória-PE
Professora Sammia Gonçalves orienta estudantes do Colégio Potencial em documentário sobre pontos históricos de Vitória-PE

Professora Sâmmia Gonçalves orienta estudantes em documentário sobre pontos históricos de Vitória-PE

Estudantes do colégio potencial produzem documentário sobre pontos históricos de Vitória de Santo Antão
Estudantes do colégio Potencial produzem documentário sobre pontos históricos de Vitória-PE

De onde veio a ideia da atividade?

Essa atividade é uma iniciativa da coordenação do colégio potencial onde a a proposta tem a intenção de realizar um  show de talentos que completará, em outubro, seu segundo ano de atividades.

Eu sou a professora da disciplina de Artes para os alunos do sexto ano do fundamental ao segundo ano do ensino médio e realizei uma votação com cada turma para entender qual linguagem eles gostariam de trabalhar dentro do que já havia  sido mostrado nas aulas.

No semestre anterior, eles tiveram contato com as principais linguagens artísticas como cinema, teatro, fotografia, arquitetura e outras. Mas dentre elas, ficaram divididos por duas específicas: cinema e fotografia.

Então lancei a proposta de eles fotografarem pontos históricos da cidade. Nisso, os estudantes se dividiram entre fotografar algo ou alguém e uma outra equipe ficou responsável de fazer um documentário sobre esse processo de fotografia dos alunos.

Por que fotografar pontos históricos da cidade?

De quatro em quatro anos ou de oito em oito anos muda prefeito, muda gestão. E nesse período acontecem muitas mudanças significativas nos lugares que já citei.

Então, a ideia do projeto é registrar para criar memória arquitetônica da cidade. Exemplo: essa praça até X ano foi assim, mas a partir de tal ano o prefeito X assumiu a gestão e modificou essa praça, sabe? Não sabemos, daqui a quatro anos, como estará a a praça do Livramento, por exemplo…

Desde que sou pequena já vi algumas praças mudarem umas três ou quatro vezes e, talvez até mais, né, eu posso estar esquecendo.

O professor Rafael Neri também se juntou à equipe e contribuiu com os estudantes. Ele é formado em Filosofia e participa de pesquisas acadêmicas.

Como a ideia está sendo desenvolvida no colégio potencial?

Nós fizemos, em primeiro lugar, a votação para saber qual linguagem eles escolheriam. Fotografia e audiovisual foi a escolhida. É o primeiro contato que eles estão tendo com essa linguagem.

É o primeiro documentário que eles estão fazendo. E aí, semanalmente nós nos encontramos nas nossas aulas, são duas aulas por semana, uma seguida da outra…

E eu vou trazendo para eles um suporte teórico sobre esses monumentos e sobre a cidade em si. E eu fui trazendo essa explicação também para falar sobre esses monumentos, porque, por exemplo, tem um busto de um homem que é considerado um herói da nação, um herói da pátria que ajudou a construir o sentimento de pátria no povo brasileiro.

Mas aí o que acontece? Esse homem era escravocrata, esse homem derramou sangue de muita gente e etc. Só que,  para a sociedade, ele é visto daquela forma como um homem de caráter belo, digno de ser representado, porém nos bastidores ele participou de situações não tão louváveis, não tão dignas de serem representadas. Então eu fico dando esse suporte a eles também no sentido de desmistificar esses heróis.

Vereador André Carvalho é entrevistado por alunos do colégio potencial sobre pontos históricos da cidade
Vereador André Carvalho é entrevistado pelos alunos do colégio potencial sobre pontos históricos da cidade.

Curiosidades sobre pontos históricos de vitória-pe

Eu tenho debatido com eles sobre monumentos que já foram muito importantes no passado, que já ajudaram a construir a identidade do povo de Vitória e hoje se encontram abandonados como, por exemplo, o teatro Iracema e o Cine Braga.

Esse último que falei fica localizado ao lado da Loja Americanas no centro da cidade. Antigamente o cinema Braga tinha, não só uma importância enquanto um aparelho cultural, mas, também, enquanto símbolo histórico de um costume da época.

Meu avós contavam muito uma história que ligava esse cinema ao cemitério São Sebastião. Como Vitória só tem um cemitério, toda pessoa que falecia tinha de fazer o mesmo percurso até ele.

Não se tinha as funerárias com apoio para velório, como tem hoje ao redor do cemitério. Então, toda vez que alguém morria, subia aquela rua onde hoje é a Americanas, mas que antigamente era o Braga.

E as pessoas aqui da cidade mais antigas diziam assim: “Seu Zé subiu o Braga”. Isso significava que Seu Zé havia morrido. Pois seu cortejo passou pela rua do Braga.

Aí fico falando sobre essas curiosidades a respeito da cidade. Porque, enfim, a história que se conta, ela não tem tantos detalhes como esse, assim, de curiosidades.

São poucos os registros escritos, por exemplo, que se tem a respeito de Vitória em comparação a outras cidades, sabe? Não se tem documentários muito aprofundados sobre. É um registro para posteridade.

Educação decolonial: sobre as três igrejas e três etnias.

Eu tenho procurado provocar uma reação neles antes de irem para esses lugares. Por que quando falamos daquele processo de desmistificação, o Engenho Bento Velho, por exemplo…

É um lugar que eles vão visitar e eu estava falando para eles sobre um quadro que vamos analisar. Esse quadro tem a imagem da Casa Grande.

Então eu conversando com eles, perguntei: Quando vocês pensam em engenho, o que é que vem assim na cabeça de vocês? E aí eles começaram a responder:  trabalho, escravidão, morte, sangue, etc.

Então é isso, entendeu? Despertar um olhar crítico para os símbolos históricos. As pessoas olham para esses, com uma visão de importância, beleza e afins, mas esquecem de se provocar a reflexão acerca de outras interpretações.

O que está está sendo contado a partir daquela construção que está preservada ainda? Mas não é só em termos de beleza que a gente tem que olhar, em termos históricos a gente tem que saber o que é que esse símbolo representou.

A igreja da Matriz, a igreja do Rosário, a igreja do Livramento, por exemplo… A igreja da Matriz era a igreja onde os brancos podiam entrar. A igreja do Rosário era a igreja dos homens pretos.

Então, dentro desse movimento de colonização e catequização, inicialmente de povos indígenas e posteriormente de povos africanos aqui no Brasil, foi construída essa igreja para que os homens negros que foram escravizados e impedidos de cultuar a sua fé.

A do Livramento é a igreja dos Homens Pardos. Então veja, essas três igrejas falam sobre uma situação de segregação racial na cidade, que parte desse movimento colonizador, que também foi racista.

E aí você tem igreja para homem branco, preto e pardo. Hoje em dia, pessoas brancas, pretas e pardas frequentam ao mesmo tempo essas respectivas igrejas.

Então, eu procuro fazer essas provocações antes de eles irem visitar os espaços, para que quando eles cheguem lá, eles cheguem já com outra perspectiva.

Sobre o festival de talentos do colégio Potencial

Eu acho importante ressaltar que esse movimento parte de uma iniciativa do colégio potencial.  Que é o show de talentos e que tomou uma proporção muito grande, de modo que o show de talentos não vai se resumir somente a ida dos estudantes a um espaço para apresentar os seus talentos para a comunidade escolar.

Eles estão indo às ruas, explorar esses talentos, essas potências que eles têm, essas potências artísticas, e dialogar com as pessoas sobre isso: o que eles estão se propondo a fazer.

No caso dos estudantes que você conheceu, eles estão trabalhando essa linguagem do cinema e da fotografia, do documentário e da fotografia. Mas tem outros estudantes que estão trabalhando teatro, que estão trabalhando música, que estão trabalhando moda.

O pessoal de moda também está, assim, mandando ver, né? Então, isso é uma iniciativa da escola, não foi uma iniciativa minha. Eu estou dando esse suporte aos alunos, porque a escola, a coordenação pedagógica, viu essa necessidade de desenvolver os talentos desses alunos, porque eles veem nos intervalos os meninos dançando, ou fazendo uma ceninha digna de Oscar.

E, pô, se eles estão fazendo isso como forma de brincadeira, por que não trazer um pouco de teoria sobre isso, para que talvez eles possam explorar essas potências que eles têm, né?

Porque muitas pessoas têm habilidades que são desconhecidas. Até determinado momento em que se tem a oportunidade de desenvolvê-las.

Essa e outras ações que tendem a estimular o desenvolvimento de habilidades nas práticas de ensino e aprendizagem do estudante são muito positivas para uma boa educação.

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Davi Mandarel

Davi Mandarel

Davi Mandarel, nascido e criado em Vitória de Santo Antão. Desde criança entorto palavras que viram textos, também conhecido como Copy. Assessor de pessoas públicas, influenciadores e empresas. Crio conteúdo para a internet e as pessoas dizem que gostam. Apaixonado por literatura! Graduando em Letras - Português UFPE

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